Porque falar de IN & OUT na arquitetura agora

Nos últimos anos, fomos tomados por uma avalanche de tendências. Algumas duram meses, outras se tornam ultrapassadas em poucos dias. É exatamente nesse cenário acelerado que os IN & OUT da arquitetura em 2026 ganham relevância.

Mais do que prever modas, esse movimento ajuda a entender o que faz sentido manter e o que já pode ser deixado para trás. Principalmente porque o perfil do cliente mudou: ele está mais informado, mais exigente e claramente cansado de fórmulas prontas. O excesso de referências, o tempo prolongado online e a vivência intensa da casa transformaram a forma de morar e, consequentemente, de projetar.

Em 2026, não basta seguir tendências. O arquiteto precisa saber filtrar, interpretar e aplicar aquilo que realmente conversa com o comportamento contemporâneo. E ficar por fora dessa leitura é, sim, correr o risco de ficar para trás. Por isso esses são os nossos IN e OUt para 2026:

Cor como estratégia (não como enfeite)

IN — Paredes coloridas com intenção

Em 2026, a cor volta com força, mas com propósito. O que as pessoas buscam agora é mais intenção e menos neutralidade automática. A cor passa a ser usada como ferramenta de contraste, expressão, identidade cultural e, principalmente, como recurso emocional e sensorial.

Aplicada com objetivo claro (acolher, ampliar, organizar ou direcionar o olhar) a cor deixa de ser enfeite e passa a ser decisão de projeto. Os novos neutros aparecem em tons mais quentes e orgânicos: verdes suaves, rosas pálidos, azuis delicados e marrons profundos.

OUT — All white automático

Se a cor volta a ocupar espaço, o all white automático perde força. Usado por anos como escolha padrão, o branco sem leitura de luz, função e sensação começa a soar frio, genérico e impessoal.

Sem intenção, o branco não resolve e pode até empobrecer o espaço. Em 2026, o que fica para trás é a escolha feita por medo de errar, não o branco em si.

Marcenaria com presença

IN — Marcenaria em tons médios

A casa-refúgio influencia diretamente as escolhas de materialidade. Tons médios de marcenaria (amadeirados, beges, cinzas quentes) ganham espaço por trazerem aconchego, profundidade visual e melhor envelhecimento estético.

São escolhas que comunicam personalidade e evitam a sensação de ambientes genéricos. Em 2026, a marcenaria deixa de ser pano de fundo e passa a ser elemento de identidade.

OUT — Marcenaria branca brilhante

Depois de dominar os anos 2010, a marcenaria branca brilhante começa a soar datada. O excesso de uso, o reflexo exagerado, a pouca textura e a manutenção difícil contribuíram para esse desgaste.

Mais do que uma questão estética, trata-se de uma rejeição ao que é frio, genérico e pouco sensorial. Essa estética fica em 2025.

O jeito de morar

IN — Slow living aplicado ao projeto

O modo de habitar mudou profundamente desde a pandemia. A vida ficou mais híbrida, acelerada e complexa e a casa precisou assumir novos papéis. Em 2026, entra com força o slow living aplicado ao projeto.

Projetar passa a significar entender rotina real, reduzir excessos e criar espaços que funcionam como suporte emocional. A casa deixa de ser vitrine e passa a ser abrigo. Personalização e intenção substituem soluções genéricas.

OUT — Casas que performam mais do que acolhem

Ficam para trás as casas pensadas exclusivamente para performar no feed. Projetos excessivamente perfeitos, mas pouco confortáveis, perdem sentido diante de uma demanda crescente por bem-estar e uso real.

Arquitetura que não acolhe, cansa - e isso já ficou claro.

Iluminação como experiência

IN — Luz quente, luminárias esculturais e abajures espalhados

O cansaço sensorial coletivo muda também a forma de iluminar. Em 2026, a luz quente domina os projetos residenciais, acompanhada de luminárias esculturais, abajures e pontos baixos distribuídos pelo espaço.

A iluminação deixa de ser funcional apenas e passa a criar atmosfera, profundidade e conforto visual. A luz principal perde protagonismo, dando espaço às camadas de iluminação.

OUT — Luz branca de uma única fonte

A iluminação branca, plana e centralizada começa a ser associada a ambientes comerciais e hospitalares. Em casas, ela soa cansativa e pouco acolhedora.

Em 2026, esse modelo fica para trás.

Textura como linguagem

IN — Texturas como protagonistas

Se aconchego é palavra-chave de 2026, as texturas se tornam indispensáveis. Materiais naturais, tecidos como linho, bouclé e veludo ganham protagonismo por oferecerem conforto tátil e visual.

As superfícies passam a comunicar sensações e não apenas estética.

OUT — Superfícies lisas demais

Superfícies excessivamente lisas, frias e sem variação sensorial perdem espaço. Elas reforçam a sensação de ambientes genéricos, sem vínculo emocional.

Em 2026, o morar pede mais profundidade.

Tendência não é estética, é leitura de comportamento

No fim das contas, o que está IN reflete uma mudança comportamental coletiva: a busca por casas mais humanas, sensoriais e intencionais. O que está OUT representa a rejeição às fórmulas automáticas que dominaram a última década.

Depois de anos de soluções fáceis, o desejo agora é por projetos que informem, acolham e façam sentido para quem vive ali. Em 2026, projetar bem não é seguir moda, é entender pessoas.

É exatamente isso que a Nova Arquitetura propõe: menos improviso, mais leitura de comportamento, método e consciência aplicada ao projeto.

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