Nas últimas semanas, as timelines foram tomadas por frases como “2026 é o ano do analógico” e o viral “go analogue”. Junto com isso, uma enxurrada de referências de hi-fi bars, coleções de vinil e sistemas de som aesthetic começaram a dominar o imaginário visual.

Mas o que o boom dos hi-fi bars tem a ver com a sua casa?

Mais do que uma tendência estética, o retorno do analógico está mudando a forma como pensamos arquitetura, acústica e experiência dentro dos ambientes.

O que são hi-fi bars? E por que eles voltaram?

Os hi-fi bars nasceram como espaços dedicados à escuta atenta e de alta fidelidade sonora.
Não é música ambiente, há um ritual de escuta atenta e escolha intencional da música a ser ouvida.

Durante anos, o streaming transformou a música em trilha de fundo: prática, portátil e infinita. Mas, junto com essa facilidade, perdemos algo essencial: a intenção das nossas escolhas musicais. Por isso, o retorno dos hi-fi bars responde a um desejo coletivo por mais presença, mais detalhe, mais qualidade. É sobre sentar, ouvir um disco inteiro e prestar atenção de fato na música.

Mas e se nós dissermos que esse comportamento não fica restrito aos bares?

O impacto do analógico na arquitetura residencial

A tendência do vinil e dos sistemas de som analógicos está migrando para dentro de casa também! Vitrolas, amplificadores, caixas de som de alta qualidade e estantes dedicadas aos discos estão se tornando protagonistas do layout. 

Isso muda o projeto, porque, quando o som vira experiência central, a arquitetura precisa acompanhar, já que um dos pilares fundamentais de qualquer projeto é o planejamento da acústica. Com a volta dos sistemas hi-fi, isso deixa de ser detalhe técnico para virar parte estratégica do design.

A acústica importa muito!

Essa procura por uma finesse sonora muda a exigência quando se trata de projetar a acústica. Os “listening rooms” são um exemplo de como o retorno do vinil e mídias analógicas cria (ou coloca novamente em cena) espaços específicos para a experiência auditiva. Isso impacta diretamente em vários aspectos arquitetônicos.

Sem tratamento adequado, o som reverbera excessivamente, perde definição e compromete a experiência. Então ambientes muito “duros” (com excesso de superfícies lisas como vidro e porcelanato) refletem demais o áudio e prejudicam a experiência desejada. Para evitar isso opte por materiais como:

  • Tapetes;
  • Cortinas;
  • Estantes com livros;
  • Painéis de madeira;
  • Tecidos naturais.

Eles ajudam a absorver o som e criar uma experiência mais imersiva. Boa acústica é design invisível, você pode não ver, mas sente a diferença no final.

Como aplicar o hi-fi na sua casa

Se a tendência do analógico está no seu radar, algumas decisões fazem diferença:

  • Escolha um canto específico para o sistema de som;
  • Evite posicionar caixas coladas diretamente na parede;
  • Invista em materiais que absorvam som;
  • Pense no som desde o início do projeto, não como acessório.

Hi-fi também é arquitetura.

Estética: madeira, luz baixa e protagonismo

O boom dos hi-fi bars também influencia diretamente a estética dos interiores,que pedem também uma atmosfera acolhedora que complementa a experiência auditiva. 

Madeiras quentes.
Iluminação indireta e mais baixa.
Mobiliário confortável e de altura reduzida.
Equipamentos expostos como objeto de design.

O sistema de som deixa de ser escondido e passa a compor a narrativa do ambiente, juntamente com os outros elementos presentes ali. 

No fim, é sobre intenção

A volta do vinil não é necessariamente sobre discos, e mais como um pedido para desacelerar, sobre a criação e resgate de rituais dentro de casa. É a transformação do ato de escutar música, que tinha se tornado corriqueiro, em uma experiência sensorial completa. Uma nova forma de valorizar qualidade, detalhe e presença e por fim, um movimento comportamental que afeta diretamente a forma de fazer arquitetura.

Se você quer entender como tendências de comportamento se transformam em estratégia de projeto, acompanha o@clubarqexpress no instagram e aqui no nosso blog. Lá a gente traduz movimentos culturais em decisões práticas de arquitetura, design e interiores.

E me conta: você vai abraçar a volta do analógico?